Faltam noventa minutos, talvez um pouco mais, para a Argentina entrar num clube que tem só dois integrantes. No próximo domingo, 19 de julho, a atual campeã do mundo encara a Espanha no MetLife Stadium, em East Rutherford, e persegue um feito que o futebol não vê há 64 anos: vencer duas Copas do Mundo seguidas. É pouca gente na fila da história. E o torcedor brasileiro conhece de cor os dois nomes que já estão lá.
Um recorde quase verde-amarelo
Na história inteira do Mundial, só duas seleções emplacaram títulos consecutivos. A Itália, em 1934 e 1938. E o Brasil de Pelé, em 1958 e 1962. Depois disso, ninguém mais. Muitas edições, muitos favoritos, e nenhuma repetição. Campeões chegaram, mas todos tropeçaram na Copa seguinte.
Por isso o assunto mexe tanto por aqui. O bicampeonato seguido virou quase patrimônio brasileiro, uma página do álbum que faz mais de seis décadas ninguém consegue abrir. Agora é o eterno rival que se aproxima dela. Se vencer no domingo, a Argentina de Messi se torna a terceira seleção da história a repetir. Só a terceira. O clube continua pequeno, mas ganharia um integrante e tanto.
A conta que engana
Vale um cuidado com a matemática. A Argentina já é tricampeã: levantou a taça em 1978, em 1986 e de novo em 2022, no Catar. O número de estrelas, portanto, não teria nada de inédito. O que ninguém faz desde 1962 é a sequência, colar uma taça na outra sem intervalo no meio. Maradona não fez. Messi persegue.
Para o torcedor brasileiro, é um roteiro de sentimentos misturados. A rivalidade com a Argentina é a mais antiga e a mais quente do continente, e ver o vizinho a um jogo de tocar num feito que era só nosso tem um gosto bem particular. Não é uma seleção qualquer chegando lá. É a albiceleste, logo ela. Guardadas as devidas rivalidades, dá para reconhecer o tamanho do desafio que ela tem pela frente.
Os caminhos até a decisão
Para chegar à final, a Argentina passou pela Inglaterra por 2 a 1 na semifinal. Do outro lado, a Espanha bateu a França por 2 a 0 e chega à decisão atrás da segunda estrela. Até hoje, o país tem um único título mundial, o de 2010, na África do Sul. De um lado, uma seleção que quer carimbar uma era. Do outro, uma que ainda constrói a sua.
Do lado argentino, é a chance de fechar um ciclo iniciado no Catar. Do lado espanhol, a de provar que 2010 não foi um ponto fora da curva, e sim o começo de algo maior. Duas ambições diferentes, o mesmo troféu no meio do gramado do MetLife no domingo.
Velhos conhecidos nos bancos
A final também esconde uma história de bastidor. Em 2017, num curso em Las Rozas, nos arredores de Madri, Lionel Scaloni tirou a licença UEFA Pro, a mais alta da carreira de um técnico. Entre os instrutores da turma estava Luis de la Fuente, hoje o comandante da Espanha. Aluno de um lado, professor do outro. Agora, frente a frente, valendo o mundo.
O apito inicial está marcado para as 15h em Nova Jersey, com a bola rolando mais tarde no horário de Brasília. Antes, no sábado, França e Inglaterra decidem o terceiro lugar em Miami. Mas a pergunta que fica é só uma: a Argentina vai mesmo entrar para um clube que, no imaginário do futebol, é quase só do Brasil? No domingo, a gente descobre.
Fontes
- FIFA
- CBS Sports
- NBC Miami
- Yahoo Sports
- Cover photo: via Wikipedia / CC/Wikimedia (see file page), via Wikimedia Commons


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