A Espanha já está de pipoca na mão
Começo pelo fato: a Espanha já está na final. Passou pela França por 2 a 0 nesta terça, dia 14, com pênalti de Oyarzabal (depois de Digne derrubar Yamal) e um gol de Pedro Porro no segundo tempo. Tem a defesa mais sólida do torneio e um comandante, Luis de la Fuente, que pode igualar o título de Vicente del Bosque em 2010.
Ou seja: os espanhóis já pegaram a pipoca e sentaram. O outro finalista sai hoje.
E aqui mora o drama do torcedor brasileiro. O Brasil caiu. Portugal caiu. Sobrou a nós, lusófonos órfãos de Copa, aquela função ingrata: assistir de camarote a uma semifinal em que um dos times é, logo ele, a Argentina.
Messi, 39 anos, e a Inglaterra pela primeira vez
Inglaterra x Argentina é hoje, 15 de julho, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, por volta das 15h de Brasília. Quem vencer encara a Espanha no dia 19, no MetLife, em Nova Jersey.
O roteiro tem imãs demais para você desviar os olhos. Messi está com 39 anos e, pasme, nunca enfrentou a Inglaterra em uma Copa do Mundo. Nunca. Chega como maior goleador da história dos Mundiais, 21 gols na carreira, e lidera a artilharia deste torneio com 8. Do outro lado, Harry Kane e Jude Bellingham vêm logo atrás, com 6 cada.
A Argentina chegou no sufoco. Bateu a Suíça por 3 a 1 na prorrogação: Mac Allister abriu aos 10, de escanteio cobrado pelo próprio Messi; Ndoye deixou tudo igual aos 67; Embolo foi expulso; Julián Álvarez soltou um golaço na prorrogação e Lautaro fechou a conta aos 121. A Inglaterra também penou, passou pela Noruega por 2 a 1, igualmente nos 30 minutos extras.
E tem o fantasma. México, 1986, quartas de final: Argentina 2 a 1, a Mão de Deus e o Gol do Século de Maradona, quatro anos depois da Guerra das Malvinas. Não é semifinal, não é profecia. É memória. Mas está lá, rondando o gramado de Atlanta, quer você queira, quer não.
O dilema: torcer contra dói, mas ninguém desliga a TV
Vamos ser honestos. Um levantamento de social listening da CNN Brasil apontou cerca de 45% de menções negativas à Argentina no torneio, contra 32% positivas e 23% neutras. Traduzindo pra linguagem de mesa de bar: quase metade do país já engatilhou o controle remoto pra torcer contra.
Somos o neutro que não é neutro. Sem bandeira própria pra hastear, a gente arruma uma emprestada só pra ter contra quem xingar o juiz.
Só que a conta não fecha tão redonda. Cresceu também uma turma que virou a casaca sem culpa. No bar Moocaires, na zona leste de São Paulo, tem brasileiro vestindo a albiceleste e cantando junto com os hermanos. Inveja boa, dessas que a gente finge não sentir enquanto vê o rival de sempre a 90 minutos, ou a uma prorrogação, de mais uma decisão.
É esse o nó que incomoda e fascina ao mesmo tempo. A nossa seleção já está em casa, e Messi segue jogando Copa aos 39. O torcer contra vira ritual, folclore, quase um carinho disfarçado de raiva.
Hoje à tarde a bola rola em Atlanta. A Espanha já sabe onde vai estar no domingo. Antes, no dia 18, rola a disputa de terceiro lugar, aquele prêmio de consolação que ninguém pediu. Falta descobrir quem senta na cadeira da frente. E se o Brasil, do sofá, vai mesmo conseguir desligar a televisão.

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