A final da Copa do Mundo pode durar 90 minutos. Pode ir aos 120. E pode, quem sabe, terminar no lugar onde a Argentina mais gosta de estar: na marca da cal. Se Argentina e Espanha empatarem neste domingo, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, o título será decidido na disputa de pênaltis. E é aí que mora o trunfo de Lionel Scaloni: Emiliano Dibu Martínez.
O velho conhecido da marca da cal
A Espanha sabe muito bem o que o goleiro representa nesse terreno. No Catar, em 2022, Dibu foi decisivo nas duas disputas de pênaltis que a Argentina enfrentou na campanha do título: pegou cobranças nas quartas de final contra a Holanda e voltou a se agigantar na decisão contra a França, levando os hermanos ao tricampeonato e faturando a Luva de Ouro de melhor goleiro do torneio. Na decisão contra os franceses, espalmou a batida de Coman e viu Tchouaméni mandar para fora.
Não é só técnica. Dibu transformou a disputa de pênaltis num teatro particular: dança em cima da linha, conversa com o batedor, atrasa a cobrança, mexe com a cabeça de quem vai bater. Meio-goleiro, meio-provocador. Para um adversário que precise converter sob pressão máxima, ele é exatamente o tipo de figura que ninguém quer ver do outro lado.
A Espanha, campeã da Eurocopa de 2024, chega embalada e confiante. Mas confiança, na loteria dos pênaltis, vale pouco diante de quem já viveu esse roteiro e saiu por cima. Mikel Oyarzabal, artilheiro espanhol com 5 gols, e seus companheiros sabem que uma cobrança desperdiçada pode custar a taça.
Recorde embaixo das traves
O peso do currículo aumenta a cada rodada. Dibu chega à final como o goleiro argentino com mais jogos em Copas do Mundo, superando a marca de 13 partidas de Ubaldo Fillol, segundo Itatiaia e O Povo. É a herança de uma geração que aprendeu a confiar no seu paredão nas horas de aflição, quando o jogo aperta e o coração da torcida vai à boca. Antes dele, Fillol, campeão em 1978, era a referência máxima da posição em Copas pela Argentina.
A Argentina chegou à decisão ao bater a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal. Do outro lado, a Espanha passou pela França por 2 a 0 e sonha com o primeiro título mundial desde 2010. São dois caminhos que agora se cruzam num só jogo.
O que esperar na decisão
A lógica pende para o lado europeu. O supercomputador da Opta aponta cerca de 59% de chances para a campeã da Eurocopa de 2024, contra 41% para a Argentina, num duelo em que Lamine Yamal, aos 19 anos, e o meio-campo de Rodri prometem mandar na bola. Do outro lado, Messi, aos 39, mira o bicampeonato e a chance de ser o primeiro capitão a defender o troféu desde Cafu, em 2002.
Mas final de Copa raramente segue o roteiro do favorito. Se a Espanha não furar o bloqueio argentino nos 90 minutos, o jogo vai à prorrogação. E se os 30 minutos extras também terminarem empatados, a decisão do Mundial cai justamente no terreno em que Dibu Martínez é especialista.
A bola rola às 16h (de Brasília), com transmissão de Globo, SporTV, Globoplay, SBT e CazéTV. Se tudo se resolver antes, ótimo espetáculo. Se empatar e for para a marca da cal, a Espanha vai ter que passar por um velho fantasma para levantar a taça.
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