Tem coisa que o futebol não esquece. Nesta quarta-feira, 15 de julho, Argentina e Inglaterra voltam a se encontrar numa Copa do Mundo, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, pela segunda semifinal. Poucos duelos carregam tanta história e tanto rancor guardado quanto esse. E a conta é velha: faz 24 anos que os dois não se cruzam num Mundial, desde 2002. Quem vencer carimba a vaga na final de domingo. Quem perder desce para a disputa de terceiro lugar.
A noite de 1986 que virou lenda
O roteiro dessa rivalidade tem três atos que todo torcedor conhece de cor. O primeiro é o mais pesado. Em 22 de junho de 1986, nas quartas de final, no Estádio Azteca, a Argentina bateu a Inglaterra por 2 a 1 com dois gols de Diego Maradona no intervalo de quatro minutos. O primeiro entrou com a mão esquerda, a "Mão de Deus", num lance em que a arbitragem não enxergou o toque e validou o gol, até hoje motivo de revolta inglesa. O segundo foi o avesso do primeiro: Maradona saiu do próprio campo, driblou meia seleção adversária e ainda passou pelo goleiro Peter Shilton. É o "Gol do Século". Naquela Copa, a Argentina foi campeã em cima da Alemanha Ocidental, Maradona levou a Bola de Ouro e o inglês Gary Lineker terminou como artilheiro do torneio.
Cartão vermelho e redenção
O segundo ato veio em 1998, nas oitavas, em Saint-Étienne. Deu 2 a 2 no tempo normal e na prorrogação, e a Argentina avançou nos pênaltis por 4 a 3. O nome da noite, para o mal, foi David Beckham: expulso logo no início do segundo tempo por dar um pontapé em Diego Simeone, o meia virou vilão nacional na Inglaterra. A revanche demorou quatro anos. Na fase de grupos de 2002, no Sapporo Dome, a Inglaterra venceu por 1 a 0 com um pênalti de Beckham aos 44 do primeiro tempo, marcado após falta em Michael Owen. Redenção fechada com chave de ouro.
Os caminhos até Atlanta
Os dois chegam embalados e no sufoco. A Argentina precisou da prorrogação para superar a Suíça por 3 a 1, no último sábado. Mac Allister abriu o placar aos 10, Ndoye empatou aos 67, e então Julián Álvarez soltou um golaço de longe aos 112 antes de Lautaro Martínez fechar a conta nos acréscimos da prorrogação. A Suíça jogou boa parte do duelo com um a menos, depois da expulsão de Embolo. A Inglaterra também foi aos 30 minutos extras: bateu a Noruega por 2 a 1 com dois gols de Jude Bellingham, depois de Schjelderup abrir o placar para os noruegueses. É a primeira semifinal inglesa em Copas desde 2018.
Messi e uma vaga na final
E aqui entra o fio do presente. Aos 39 anos, Lionel Messi nunca enfrentou a Inglaterra numa Copa do Mundo. Vai ser a estreia dele nesse clássico, logo numa semifinal, com a Argentina defendendo o título de 2022 e de olho no bicampeonato seguido. Do outro lado, a Inglaterra persegue a taça que não ergue desde 1966. São os fantasmas de 1986, o cartão de Beckham e, agora, Messi diante dos ingleses pela primeira vez, tudo em jogo numa só noite. O vencedor volta a campo no domingo, 19 de julho, na final do MetLife Stadium, em Nova Jersey. O perdedor briga pelo terceiro lugar em 18 de julho, em Miami. A outra semifinal, França x Espanha, rola nesta terça em Dallas, e o adversário da decisão ainda será conhecido.

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