A obra de um homem só
Oito gols. Os cinco primeiros da Argentina neste Mundial saíram todos dos pés de Lionel Messi, antes de qualquer companheiro balançar as redes. Aos 39 anos, o camisa 10 carregou a albiceleste até a final quase sozinho, e os números foram virando poesia.
Pensa no peso disso. Cinco vezes a Argentina precisou de um gol na largada da caminhada, e cinco vezes foi o mesmo homem que apareceu. Só depois os companheiros passaram a dividir a conta. É o retrato de uma seleção que respira no ritmo do seu camisa 10.
Messi divide a artilharia do torneio com Kylian Mbappé, também com oito, mas leva a melhor no critério de desempate: são duas assistências a uma, segundo o Goal.com. As duas últimas saíram na virada por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal. Ele serviu Enzo Fernández para deixar tudo igual e, já no fim, achou Lautaro Martínez para carimbar a vaga na decisão. Duas jogadas, dois passes no ponto exato, e a semifinal estava resolvida em favor da Argentina.
O recorde que parecia intocável
Pelo caminho, Messi fez o que ninguém tinha feito. Passou os 16 gols de Miroslav Klose e virou o maior artilheiro da história das Copas, com 21 no total somando os Mundiais que disputou, segundo ESPN e Sky Sports. O alemão precisou de quatro edições para chegar aos 16. O argentino transformou cada aparição em capítulo de uma coleção que agora não tem rival.
Há algo quase teimoso nessa despedida anunciada. Cada Mundial vira o último, e Messi responde com mais gols, mais assistências, mais motivos para adiar o fim. Em 2026, a resposta veio em forma de artilharia e de uma seleção inteira apoiada nas suas costas.
Não é força bruta, é repertório. O passe que rasga a defesa. O drible curto no espaço apertado. A bola que beija a rede quando o jogo pede. Na linhagem de Tostão, dá para dizer sem medo do exagero: é a ternura de quem joga sabendo o tempo exato de cada lance.
Messi e Yamal, presos a uma foto
A final guarda um encontro de gerações. De um lado, Messi, 39 anos. Do outro, Lamine Yamal, 19, a joia que ajudou a Espanha a bater a França por 2 a 0 na outra semifinal. Os dois já haviam se cruzado muito antes disto. Em 2007, numa campanha da Unicef em Barcelona, Messi apareceu segurando no colo um bebê chamado Lamine Yamal, como relembraram FOX Sports e Olympics.com.
Um deles mal tinha começado a viver; o outro já era o melhor do mundo. Quase vinte anos depois, o menino da foto vira adversário. Espanha e Argentina se enfrentam no MetLife no dia 19, e essa história ainda está por ser escrita.
Calma com os troféus
A Chuteira de Ouro segue em aberto. Mbappé, eliminado com a França, ainda pode ampliar a conta na disputa de terceiro lugar, contra a Inglaterra, no dia 18, em Miami. Harry Kane e Jude Bellingham também jogam essa decisão. Ou seja: a artilharia pode trocar de dono antes do apito final, e ninguém cravou nada.
O que já está garantido é o palco. Aos 39 anos, com oito gols e um recorde histórico no currículo, Messi tem mais um encontro marcado. A obra-prima ganha novo capítulo no dia 19, contra o menino que ele um dia segurou no colo.
Fontes
- Goal.com
- ESPN
- Sky Sports
- FOX Sports
- Olympics.com
- Cover photo: Bryan Berlin / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons



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