Acabou sem festa argentina
A Argentina foi ao MetLife Stadium defender o título e sonhar com a despedida perfeita de Lionel Messi. Voltou para casa sem nada. A Espanha venceu por 1 a 0 na prorrogação, levantou a taça e se tornou bicampeã mundial, a primeira desde 2010. Para o torcedor brasileiro, que conhece bem o gosto amargo de ver o vizinho no topo, o roteiro teve outro sabor: a albiceleste caiu, e caiu jogando pouco.
Aos 39 anos, na que deve ser a sua última Copa, Messi terminou o Mundial sem o troféu e sem o consolo pessoal. Não foi a despedida de cinema. Foi um adeus discreto, quase silencioso, num jogo em que a Argentina mal encostou na bola. Quem esperava o abraço da taça viu o capitão caminhar cabisbaixo pelo gramado de East Rutherford.
Um domínio que os números confirmam
O placar magro esconde um massacre. A Espanha teve 65% de posse, acertou 762 passes contra 358 dos argentinos e finalizou 19 vezes, 12 delas no alvo. A Argentina não acertou um único chute no gol. Nenhum. O xG conta a mesma história: 1,94 a 0,20. A Espanha criou quatro chances claras de gol; a Argentina, nenhuma.
O gol demorou, mas veio. Aos 106 minutos, já na prorrogação, Nico Williams desviou de cabeça na pequena área e Ferran Torres apareceu na primeira trave para empurrar para as redes, sem chance para Emiliano Martínez. Depois de segurar o 0 a 0 nos 90 minutos, o goleiro argentino fez 11 defesas na noite, número que resume quem mandou no jogo. Nos minutos finais da prorrogação, a Argentina ainda ficou com dez em campo após uma expulsão, detalhe menor num duelo já decidido.
Poucas vezes Messi encostou na bola em condição de decidir. A Espanha tratou de isolá-lo, e a Argentina, sem ideias na criação, apelou para bolas alçadas que a defesa de la Fuente devolveu sem sustos. Até nas faltas o jogo foi truncado: 25 da Argentina, 21 da Espanha.
O adeus sem Chuteira de Ouro
Havia mais em disputa do que a taça. Messi chegou à final com chance de ampliar seu legado, mas parou nos 8 gols e viu Kylian Mbappé fechar a Copa como artilheiro, com 10, garantindo a Chuteira de Ouro para o francês. Sem balançar as redes no MetLife, o camisa 10 saiu de campo sem o prêmio individual e sem a defesa do título que conquistou em 2022.
A Argentina havia chegado à decisão como atual campeã, defendendo o título que ergueu em 2022. Fez o dever de casa até ali. Na final, esbarrou numa Espanha que sufocou o meio-campo com Rodri e nunca deixou o adversário respirar.
A era que começa do outro lado
Enquanto uma história se encerra, outra se abre. A Espanha de Luis de la Fuente completou a dobradinha Eurocopa 2024 e Copa do Mundo, algo raro no futebol moderno, com um elenco que mistura veteranos e meninos. Lamine Yamal, aos 19 anos, entra para a lista dos campeões mundiais mais jovens da era recente. Rodri controlou o miolo como poucos, e a Espanha saiu de East Rutherford com a taça que faltava à geração.
Para a Argentina, resta a conta do tempo. Messi provavelmente não estará na próxima Copa, e o ciclo que levou o país ao topo em 2022 se fecha com uma derrota que não teve reação. O rei não teve o final que o roteiro pedia. E, do lado de cá da fronteira, o Brasil observa a Espanha assumir o trono que a albiceleste acabou de deixar.
Fontes
- ESPN
- FIFA
- Yahoo Sports
- Al Jazeera
- Cover photo: Bryan Berlin / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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