"Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui." A frase saiu curta, quase num sussurro, mas carregou o peso de uma geração inteira. Depois da eliminação para a Noruega, por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa, Neymar sinalizou o ponto final na sua história com a Seleção. A ESPN Brasil apurou que a decisão é tratada nos bastidores como irreversível.
E o destino guardava uma simetria de arrepiar. Foi no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, que a página virou no dia 5 de julho. O mesmo gramado onde, uma vida atrás, tudo tinha começado. Roteiro que nem o cinema ousaria escrever.
O círculo do MetLife
Volte a 10 de agosto de 2010. O estádio ainda atendia por New Meadowlands. Um garoto de 18 anos e ousadia de sobra fazia sua estreia pela Seleção principal contra os Estados Unidos. E, para não fugir do enredo, já estufou a rede naquela noite. Era o primeiro capítulo.
Dezesseis anos depois, no mesmo endereço, veio o epílogo. Haaland fez os dois gols da Noruega, e o Brasil não teve resposta. Coube a Neymar descontar, de pênalti, nos acréscimos, num jogo já perdido. O último gol da carreira dele com a Amarelinha saiu ali, na marca da cal, quase como um aceno de despedida.
Os números que ninguém apaga
Fica um legado difícil de medir. Pelo critério oficial da FIFA, Neymar se despede como o maior artilheiro da história da Seleção: 80 gols em 130 jogos, com 59 assistências no caderninho. Ele passou os 77 de Pelé, na mesma contagem da FIFA, em 8 de setembro de 2023, na goleada por 5 a 1 sobre a Bolívia, em Belém. Foi naquela noite que ele deixou o Rei para trás na artilharia oficial.
Cabe a ressalva, e ela é importante. Pela contagem ampliada da CBF, que inclui partidas não oficiais, Pelé ainda aparece na frente. O recorde, então, depende da metodologia que se adota. Mas nenhuma planilha muda o essencial: raramente alguém vestiu a camisa amarela com tanto peso ofensivo nas costas.
O sonho que faltou
Faltou o principal. Neymar nunca levantou a Copa do Mundo. O jejum brasileiro desde o penta de 2002 já é o mais longo da história do país, e 2026 entrou para a conta como a pior campanha desde 1990. Em 1990, aliás, o Brasil também caiu nas oitavas, naquela ocasião para a rival Argentina. A ironia é cruel: o MetLife recebe a final no dia 19 de julho, o palco que Neymar sonhou em pisar decidindo e onde, na prática, deu adeus ainda nas oitavas.
Ele não vai estar lá na decisão. Os finalistas ainda serão conhecidos, com as semifinais pela frente. Neymar vai assistir de fora, como torcedor comum.
E não foi só ele a baixar as cortinas. Um dia depois, Cristiano Ronaldo também disputou sua última Copa, na queda de Portugal para a Espanha por 1 a 0. Dois nomes da mesma geração, dois adeuses quase colados no calendário.
A Amarelinha que vem por aí
Agora começa outra história. Carlo Ancelotti segue no comando até 2030, e o Brasil abre uma renovação de peso. Endrick, Estêvão e Rayan são a aposta para o futuro, com Vinícius Jr fazendo a ponte entre as gerações.
Sobra uma pergunta velha de guerra: quanto tempo mais o torcedor vai esperar por outra estrela no peito? Em 2030, o jejum já será de 28 anos. Neymar sai sem a taça que tanto perseguiu. Mas sai onde entrou, no gramado do MetLife, fechando o círculo com as próprias palavras.



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