A final da Copa do Mundo de 2026 promete se decidir onde quase toda final se decide: no meio-campo. E é ali que Rodri quer mandar. Dono da Bola de Ouro de 2024 e coração do meio-campo espanhol, ele chega à primeira final de Copa da carreira disposto a ditar o compasso quando a seleção de Luis de la Fuente encarar a Argentina de Lionel Messi, neste domingo, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.
Recuperado de uma grave lesão no joelho que o tirou de boa parte da temporada, o volante chegou a tempo de reassumir o coração do jogo. Na véspera, porém, tratou de baixar a bola sobre um suposto plano espanhol para anular o camisa 10 argentino.
O maestro que a Espanha recuperou a tempo
Rodri é o metrônomo da Espanha, o jogador que dá o ritmo e faz a bola circular. Ao seu redor, De la Fuente montou um meio-campo pensado para ter a posse: Fabián Ruiz e Pedri costumam dividir com ele as funções de construção e de recomposição.
Foi esse eixo que abafou a França na semifinal, vencida por 2 a 0. Quando Rodri manda no relógio do jogo, a Espanha respira. Quando o obrigam a correr atrás da bola, a história muda. Não por acaso, a escalação de De la Fuente para a final passa, antes de tudo, por blindar esse setor.
"A Argentina é muito mais do que o Messi"
A pergunta inevitável, sobre grudar em Messi, Rodri devolveu com um aviso: a Argentina, disse o volante espanhol, "é muito mais do que o Messi". A leitura é simples. Gastar toda a energia em um homem só costuma abrir espaço para os outros dez.
Só que esse homem tem 39 anos, vive o que deve ser sua última Copa e disputa a terceira final de Mundial da carreira, somando 2014, 2022 e agora 2026. E ele está no meio de outra corrida. Segundo o ranking de artilharia da competição, Kylian Mbappé lidera isolado, com 10 gols; Messi aparece logo atrás, com 8 gols e 4 assistências, e precisaria marcar ao menos duas vezes hoje para passar o francês (um empate em 10 a 10 fica com o argentino pelo critério de assistências).
Fora das quatro linhas, o duelo carrega simbolismo: a Bola de Ouro de 2024 pertence a Rodri, e Messi é o maior colecionador do prêmio, com oito. É craque contra craque, o atual dono do troféu contra o recordista, no mesmo gramado.
O que a Opta calcula, e o que está em jogo
Antes de a bola rolar, o favoritismo é espanhol. O supercomputador da Opta, que simula o torneio milhares de vezes para projetar o campeão, dá à Espanha cerca de 59% de chances de título, contra cerca de 41% da Argentina.
Números à parte, o peso da noite é grande dos dois lados. A Argentina defende o título de 2022 e mira a quarta estrela. Se vencer, Messi seria o primeiro a liderar campeões mundiais em edições seguidas desde Pelé, e o primeiro capitão a defender a taça desde Cafu, em 2002. A Espanha, por sua vez, persegue seu primeiro título mundial desde 2010.
No fim, tudo volta ao meio. Se Rodri girar a bola no seu tempo, a Espanha dita a final. Se Messi recuar para buscar o jogo e furar esse bloqueio, a decisão ganha outro roteiro. A bola rola às 16h de Brasília (15h em Nova York), com transmissão de Globo, SporTV e Globoplay, entre outras plataformas. Resta saber quem vai mandar no relógio.
Fontes
- ge.globo
- ESPN Brasil
- The Analyst (Opta)
- FIFA
- Cover photo: Rolandhino1 / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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