Posse e pressão: como a Espanha sufocou a Argentina na final da Copa

Posse e pressão: como a Espanha sufocou a Argentina na final da Copa

Com 65% de posse, 12 finalizações no alvo contra zero e Rodri ditando o ritmo, a Espanha não deixou a Argentina respirar. Ferran Torres decidiu na prorrogação e garantiu o bicampeonato mundial.

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A Espanha é bicampeã mundial. No MetLife Stadium, em East Rutherford, a seleção de Luis de la Fuente bateu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e levantou a taça pela primeira vez desde 2010. Ferran Torres decidiu aos 106 minutos. Mas o placar magro engana: a final foi um massacre tático.

A Argentina, campeã e defensora do título, não acertou uma única finalização no alvo. Nenhuma, segundo a ESPN. Em 120 minutos de decisão de Copa do Mundo.

As duas chegaram à decisão como as seleções mais fortes do torneio. Na final, porém, só uma delas entrou em campo para valer.

O relógio chamado Rodri

Todo o plano espanhol passou pelos pés de Rodri. O volante ditou o compasso, baixou para receber dos zagueiros, girou a bola de um lado para o outro e tirou a Argentina da zona de conforto. A Espanha terminou com 65% de posse e 762 passes certos, contra apenas 358 dos argentinos.

Não era posse pela posse. Era posse como asfixia. Com a bola quase sempre nos pés, De la Fuente empurrou a Albiceleste para o próprio campo e a obrigou a correr atrás da sombra. O time de Messi mal passava do meio.

E quando perdia a bola, a Espanha subia a marcação em bloco e sufocava a saída argentina antes de ela nascer. O recado dos números é brutal: 19 finalizações a 2, sendo 12 no alvo contra zero, e um xG de 1,94 a 0,20. A final teve um só dono.

Yamal e Nico Williams pelas pontas

Se Rodri organizava, os pontas machucavam. Lamine Yamal, aos 19 anos, encarava a marcação pela direita e forçava a Argentina a dobrar a atenção naquele lado. Nico Williams fazia o mesmo pela esquerda, na base da velocidade.

Foi dele, aliás, o lance do gol. Williams cabeceou rasteiro cruzando a pequena área, e Ferran Torres só empurrou no primeiro pau, sem chance para Emiliano Martínez. A largura dos dois esticou a defesa argentina até o limite. A Espanha criou quatro grandes chances na partida. A Argentina, nenhuma.

Uma Argentina sem ar

Do outro lado, foi sufoco do início ao fim. Sem a bola, a Argentina virou refém do adversário e não finalizou uma única vez nos 90 minutos regulamentares. Messi, aos 39 anos, apareceu pouco e recebeu menos ainda, isolado longe do gol. O plano parecia claro: segurar o 0 a 0 e levar tudo para os pênaltis, terreno em que Martínez costuma se agigantar.

E o goleiro fez a parte dele. Foram 11 defesas, várias salvadoras, num dia em que o arqueiro foi o único argentino inteiro em campo. Mas nem ele aguentou a pressão eterna. Quando Ferran estufou a rede na prorrogação, o castelo ruiu.

A Argentina ainda terminou com dez, depois de uma expulsão já nos acréscimos da prorrogação. Detalhe tardio, que não muda nada: foi só a nota de rodapé de uma noite inteira passada correndo atrás da bola.

O que fica

O título fecha um ciclo raro. A Espanha junta a Eurocopa de 2024 e a Copa de 2026 numa dobradinha que só grandes gerações alcançam. Yamal vira campeão do mundo aos 19, entre os mais jovens da era moderna, e teve em Rodri o cérebro de toda a campanha.

Para a Argentina e para Messi, provavelmente na despedida da Copa, sobrou o vice e a conta amarga. Nem o bicampeonato, nem a Chuteira de Ouro, que ficou com Kylian Mbappé e seus 10 gols. Messi parou nos 8 e não marcou na final. O reinado, agora, é da Espanha.

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