A vaga na final da Copa do Mundo vai ser decidida no meio de campo. Quando Inglaterra e Argentina entrarem em campo no dia 15, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, o confronto mais quente não estará na frente nem no fundo. Estará no miolo, onde Jude Bellingham vai medir forças com a experiência de Rodrigo De Paul, Alexis Mac Allister e Enzo Fernández.
De um lado, um meia em fase de resolver jogos sozinho. Do outro, três nomes que já levantaram a taça e sabem o peso de uma semifinal. É nesse pedaço do gramado que a semifinal deve ser ganha ou perdida.
Bellingham, o motor da Inglaterra
Não dá para contar a campanha inglesa sem começar por ele. Nas quartas de final, foi Bellingham quem tirou a Inglaterra do sufoco: marcou o gol de empate ainda nos acréscimos do primeiro tempo e, depois, o gol da classificação na prorrogação, na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega. Dois gols, os dois em momentos decisivos.
É esse o retrato do jogador que a Argentina vai precisar segurar. Bellingham é o tipo de meia que sai de trás, cavalga o meio-campo e aparece na área para finalizar, um homem de área a área que vira criador e finalizador na mesma jogada. Tem sido dele o perigo nos mata-matas ingleses, e é ele quem dá o tom da equipe quando o jogo aperta.
O desafio para os campeões é justamente esse. Não basta marcar Bellingham em uma zona do campo, porque ele não fica em uma zona só. Ora recua para construir, ora dispara para a área. Quem for encarregado de segui-lo vai correr o jogo inteiro.
A experiência que sustenta o título
Do outro lado está um meio-campo rodado como poucos. De Paul, Mac Allister e Enzo Fernández formam o trio que vem sustentando a defesa de título dos atuais campeões, numa caminhada que tem cobrado seu preço. A Argentina precisou da prorrogação em dois mata-matas seguidos: contra o Egito, nas oitavas de final, e contra a Suíça, nas quartas.
Foram trinta minutos extras em cada um desses jogos, sinal de que a barra tem pesado. Ainda assim, é na experiência desse setor que a Argentina se apoia para controlar as grandes decisões e não se afobar quando o placar não abre.
A missão do trio é clara. Fechar os espaços por onde Bellingham gosta de surgir, proteger a defesa e não deixar o inglês ganhar as costas da marcação. Controlar o ritmo. Sufocar as subidas antes que virem chance de gol. Se os argentinos conseguirem tirar o meia inglês do jogo, tiram junto o coração da Inglaterra.
O xadrez até o apito inicial
Vale um alerta antes de qualquer aposta: a escalação exata do meio de campo argentino só deve ser confirmada perto da bola rolar. Se vai a campo o trio inteiro, uma dupla de volantes mais protegida ou outro desenho tático, é uma carta que fica na manga até a hora da verdade.
Seja qual for o arranjo, o enredo central não muda. A Inglaterra tem no meio-campo o seu jogador mais perigoso, um meia que resolveu a fase anterior praticamente sozinho. A Argentina responde com a serenidade de quem já passou por tudo isso e voltou a levantar o troféu.
Quem vencer essa queda de braço no miolo do campo dá um passo enorme rumo à decisão. A resposta vem no dia 15, em Atlanta: Bellingham de um lado, a muralha de experiência argentina do outro, com uma vaga na final da Copa do Mundo em jogo.

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