Inglaterra busca a primeira final desde 1966 e reencontra a Argentina na semi da Copa

A 60 anos do título de 1966, a Inglaterra está a uma vitória de voltar a uma final de Copa do Mundo, mas terá pela frente a Argentina campeã e a memória de uma das rivalidades mais quentes do futebol.

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A quarta-feira pode enterrar uma espera de 60 anos. A Inglaterra está a uma vitória de voltar a disputar uma final de Copa do Mundo pela primeira vez desde 1966, e, para chegar lá, terá que passar pela Argentina, atual campeã do mundo e faminta pelo bicampeonato. A semifinal está marcada para o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

De um lado, um jejum que virou assunto de nação. Do outro, uma seleção que ergueu a taça em 2022 e não pensa em devolvê-la. É reencontro, é revanche, é a rivalidade mais elétrica que o futebol inglês conhece longe de casa.

Uma espera de seis décadas

Desde o título em Wembley, em 1966, a Inglaterra nunca mais chegou a uma final de Mundial. São seis décadas de frustração acumulada, de esperança que sobe e desce a cada quatro anos, de um "it's coming home" cantado no talo e depois engolido. Agora os Três Leões voltam a bater na porta.

Para chegar até aqui, o time superou a Noruega por 2 a 1 na prorrogação. Quem resolveu foi Jude Bellingham, autor dos dois gols ingleses. Um duelo que só se decidiu nos 30 minutos extras, no sufoco, do jeito sofrido que a Inglaterra parece condenada a repetir em Copa.

A Argentina quer o bi

Do outro lado do gramado estará a campeã de 2022. A Albiceleste chega embalada e mira algo que pouquíssimas seleções conseguiram na história: dois títulos mundiais seguidos. Na fase anterior, bateu a Suíça por 3 a 1, também na prorrogação, com Julián Álvarez decretando a vitória.

Campeã em exercício, com boa parte do elenco que já sabe o caminho da final, a Argentina entra como um adversário que não se assusta com o tamanho do jogo. Já viveu isso. Já venceu isso.

Uma rivalidade de arquibancada em pé

Inglaterra e Argentina não se cruzam em Copa do Mundo desde 2002. Quando isso acontece, o mundo para. E a memória de quem viveu 1986 não some nunca.

Naquela Copa do México, nas quartas de final, a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 no Estádio Azteca, a caminho do título. Os dois gols saíram dos pés de Diego Maradona, com poucos minutos de intervalo entre eles, e entraram para sempre na história do futebol. Primeiro a "Mão de Deus", o gol de mão que o árbitro não enxergou. Depois o "Gol do Século", uma corrida driblando meio time inglês que ainda hoje se assiste de boca aberta.

Doze anos depois, novo capítulo. Nas oitavas de final de 1998, a Argentina eliminou a Inglaterra nos pênaltis, em uma partida marcada pela expulsão de David Beckham. Mais uma ferida aberta, mais um nome inglês que carregou a culpa por temporadas.

São páginas que os torcedores dos dois lados sabem de cor. Nenhuma das seleções precisa ser lembrada do que está em jogo no plano emocional. Basta o hino tocar.

O que está em jogo

Na quarta-feira, em Atlanta, tudo isso volta ao mesmo campo. De um lado, a Inglaterra tentando encerrar seis décadas de frustração e recolocar o nome do país em uma decisão de Mundial. Do outro, a Argentina buscando confirmar que 2022 não foi um ponto final, e sim o começo de uma era.

A vaga na final é o prêmio. A história, o pano de fundo. E fica a pergunta pairando no ar até a bola rolar: quem vai escrever o próximo capítulo dessa rivalidade que nunca esfria?

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