A Espanha está a um resultado de reescrever a história das seleções. A vitória por 2 a 1 sobre a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, esticou a invencibilidade da Roja para 36 jogos e deixou o time de Luis de la Fuente a um único passo do maior recorde de invencibilidade do futebol masculino de seleções, hoje nas mãos da Itália de Roberto Mancini.
Foi um duelo de mata-mata decidido no detalhe. Fabián Ruiz abriu o placar aos 29 minutos, a Bélgica respondeu com De Ketelaere, e Mikel Merino surgiu aos 87 para calar o adversário e carimbar a vaga, segundo o beIN Sports. Com o triunfo, a Espanha voltou a uma semifinal de Copa do Mundo pela primeira vez em 16 anos, desde o título mundial erguido na África do Sul, em 2010.
Mas o reencontro com a elite é só metade da história. A outra metade está numa conta que não para de crescer.
Uma conta que não para de crescer
São 36 jogos sem conhecer a derrota. Para achar o último tropeço da Roja, é preciso voltar bastante o calendário: um amistoso perdido por 1 a 0 para a Colômbia, no Estádio Olímpico de Londres, em 22 de março de 2024. De lá para cá, ninguém mais bateu os espanhóis. São mais de dois anos sem provar o gosto amargo de uma derrota.
A marca tem peso duplo. Ela iguala a sequência de 36 partidas que a Argentina de Lionel Scaloni ergueu entre 2019 e 2022, uma caminhada que passou pela Copa América e terminou com a taça do mundo no Catar, de acordo com o beIN Sports. E supera o próprio recorde espanhol de 35 jogos invicto, construído entre 2007 e 2009 sob o comando de Luis Aragonés e, depois, de Vicente del Bosque.
Duas eras douradas da Espanha, e a atual já deixou a anterior para trás.
O recorde de Mancini na mira
Agora o alvo tem cara de Itália. A azzurra de Roberto Mancini emendou 37 jogos sem derrota entre 2018 e 2021, a maior invencibilidade já registrada no futebol masculino de seleções. A conta é simples, informa o beIN Sports: a Espanha empata esse número com mais um resultado sem perder e assume a liderança isolada com dois.
Ou seja, para deixar o recorde só para si, a Roja precisaria seguir invicta na semifinal e, na sequência, numa eventual final. O primeiro capítulo desse desafio chega já na terça.
Traduzindo para o que está em jogo agora: o duelo não decide apenas uma vaga na decisão. Ele pode colocar a Espanha lado a lado com a melhor sequência da história do esporte.
Uma muralha que ninguém abriu
Se a invencibilidade impressiona, a defesa assusta ainda mais. Em cinco jogos neste Mundial, a Espanha não sofreu um gol sequer, a melhor marca defensiva do torneio, segundo levantamento do beIN Sports e da CNN. Cinco partidas, o zero preservado do apito inicial ao último lance, sem sustos.
E a caminhada não caiu do céu. A sequência invicta carrega troféus de verdade: o título da Liga das Nações de 2023 e a Eurocopa de 2024, essa última vencida com sete vitórias em sete jogos. Campanha perfeita, sem deixar pontos pelo caminho.
De la Fuente pegou uma geração cheia de talento e transformou consistência em rotina. É um time que aprendeu a ganhar de vários jeitos, jogo a jogo, sem depender de um único nome. Contra a Bélgica, quem resolveu foi o meio de campo, com Fabián Ruiz e Merino. Numa Copa em que os favoritos tropeçam, a Roja segue de pé, com a defesa fechada e a mira certa nos momentos que decidem.
Próximo capítulo: França, em Dallas
O teste seguinte tem tamanho de decisão. A Espanha encara a França na próxima terça-feira, dia 14 de julho, em Dallas, pela semifinal da Copa do Mundo, conforme a NBC News. De um lado, uma invencibilidade histórica pendurada por um fio. Do outro, uma das seleções mais acostumadas a jogos grandes no planeta.
O roteiro está montado. Se a Roja passar sem perder, iguala a Itália de Mancini e entra de vez na conversa dos maiores recordes do futebol. Se cair, a sequência para em 36 e o sonho de um novo título mundial fica pelo caminho.
Dallas será o palco. E, no fim, os 90 minutos (ou o que for preciso além deles) vão dizer se a Espanha escreve mais um capítulo ou se o recorde de Mancini segue de pé por mais um tempo.

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