Argentina x Suíça: por que o palpite fica com a campeã, mesmo com a defesa em alerta

Argentina x Suíça: por que o palpite fica com a campeã, mesmo com a defesa em alerta

Casas de apostas, o modelo da Opta e o retrospecto apontam Messi e a Argentina para a semifinal em Kansas City. Mas a defesa vazada da campeã e a solidez suíça deixam a porta aberta para a zebra.

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O favoritismo tem dono, mas o confronto das quartas em Kansas City guarda mais história do que o placar das apostas deixa ver. No GEHA Field, dentro do Arrowhead Stadium, a Argentina encara a Suíça por uma vaga na semifinal da Copa do Mundo de 2026. De um lado, Lionel Messi em noite de artilheiro. Do outro, uma seleção que esperou 72 anos para voltar a esta altura do torneio.

Os sinais apontam todos para o mesmo lado. Só que nada é tão simples quanto o favoritismo sugere.

A campeã tem os números a seu favor

O mercado não hesita. Segundo dados da DraftKings divulgados pela CBS Sports, 85% das apostas e 91% do dinheiro estavam na Argentina até a noite de sexta, 24 horas antes da bola rolar. As casas tratam a atual campeã como favorita clara nos 90 minutos e a Suíça como zebra.

O modelo estatístico da Opta reforça o roteiro: 57,7% de chance de vitória argentina no tempo normal, contra 18% da Suíça e 24,3% de empate. Para a classificação, a conta sobe para 70,5% a favor de Messi e companhia.

O retrospecto pesa ainda mais. Em sete encontros na história, a Suíça nunca venceu a Argentina, com cinco derrotas e dois empates. Nos dois duelos em Copas, deu argentino nas duas vezes: 2 a 0 nas oitavas de 1966 e 1 a 0 na prorrogação em 2014, com gol de Di María aos 118 minutos.

Messi voa, mas a defesa liga o alerta

Aos 39 anos, Messi lidera a artilharia do Mundial com 8 gols em 5 jogos e se tornou o primeiro jogador a marcar em seis mata-matas seguidos de Copa, segundo a Opta. Foi ele quem puxou a virada sobre o Egito nas oitavas, em Atlanta. A Argentina perdia por 2 a 0 a onze minutos do fim e venceu por 3 a 2: Romero cabeceou após cruzamento de Messi aos 79, o camisa 10 deixou o dele aos 84 e Enzo Fernández completou de cabeça aos 92, nos acréscimos.

A equipe chega embalada. Passou pelo Grupo J com 100% de aproveitamento, bateu Cabo Verde por 3 a 2 em Miami e estende para 14 jogos seguidos a série marcando gols, também pela Opta.

O problema mora atrás. Nos dois jogos de mata-mata, a Argentina sofreu gol em 56% das finalizações certas que enfrentou (5 de 9), uma das defesas mais vazadas entre os times que seguem vivos. Sem desfalques, Scaloni tem apenas uma dúvida boa: escalar Julián Álvarez ou Lautaro Martínez ao lado de Messi.

A resistência suíça e o baque de Manzambi

A Suíça chega diferente do que o retrospecto pinta. É o único time do Mundial que ainda não ficou atrás do placar em momento algum, somando eliminatórias e fase final, aponta a Opta. Bateu a Argélia por 2 a 0, segurou o 0 a 0 diante da Colômbia e avançou nos pênaltis, por 4 a 3. É a primeira vez que os suíços emendam duas vitórias de mata-mata numa Copa.

Mas o técnico Murat Yakin perdeu sua joia. Johan Manzambi, de 20 anos, está fora com lesão no joelho. "A lesão do Johan nos machuca demais. Foi um choque de verdade... ele não pode jogar", lamentou Yakin à beIN Sports. O garoto é o mais jovem a somar cinco participações em gols, com 3 gols e 2 assistências, numa Copa desde 1966.

No meio, a experiência tenta compensar. Granit Xhaka lidera o torneio em passes que quebram linhas rumo ao ataque, com 50, e, ao lado do lateral Ricardo Rodríguez, é um dos dois únicos remanescentes da derrota de 2014. A arbitragem virou assunto à parte: o português João Pinheiro foi escalado e gerou desconfiança na Argentina, depois de não marcar um pênalti de mão em jogo do Bayern contra o PSG na semifinal da Champions. Pinheiro já apitou um jogo da Suíça neste Mundial, o 4 a 1 sobre a Bósnia.

O palpite

A leitura honesta é direta: peso das odds, forma e história mandam apostar na Argentina para vencer e avançar. Só que a conta não fecha tão redonda quanto o favoritismo sugere. Com a defesa argentina em alerta e um ataque suíço puxado por Embolo, Ndoye e Vargas, o especialista Martin Green, da CBS Sports (19 acertos em 26 palpites no torneio), crava mais de 2,5 gols na partida.

Nosso palpite acompanha a lógica: vitória apertada da Argentina, com bola na rede dos dois lados. Algo como 2 a 1 para a campeã. É um prognóstico, não uma sentença. A Suíça não vence a Argentina há sete jogos e perdeu seu jogador mais decisivo, mas nunca esteve tão organizada. Uma bola parada ou um erro na saída podem transformar a noite de Kansas City em zebra. Agora é esperar a bola rolar.

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