França sonha com terceira final seguida, feito que só Brasil e Alemanha Ocidental alcançaram

França sonha com terceira final seguida, feito que só Brasil e Alemanha Ocidental alcançaram

Campeã em 2018 e vice em 2022, a França de Didier Deschamps bateu o Marrocos por 2 a 0 e está a uma vitória sobre a Espanha de igualar uma marca que, em 96 anos de Mundial, só o Brasil e a Alemanha Ocidental conseguiram: três finais de Copa em sequência.

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A França está a um jogo de entrar num clube que, em 96 anos de Copa do Mundo, teve apenas dois integrantes. Ao bater o Marrocos por 2 a 0 nas quartas de final, segundo a NBC News, a seleção de Didier Deschamps carimbou a vaga na semifinal de 2026 e manteve de pé o sonho de disputar sua terceira final consecutiva. Campeã em 2018. Vice em 2022. Semifinalista agora. Falta um passo, e um só.

O roteiro recente é digno de moldura. Em 2018, a França foi campeã. Em 2022, voltou à decisão e só caiu diante da Argentina nos pênaltis, conforme a NBC News. Agora, em 2026, está de novo entre as quatro melhores do mundo. Três Copas, três campanhas coladas ao topo da tabela do mata-mata.

Esse passo que falta tem nome e endereço: a Espanha, na próxima terça-feira, dia 14, em Dallas.

Um clube de apenas dois integrantes

A conta é curta e impressiona. Em quase um século de Mundial, só duas seleções chegaram a três finais em sequência, aponta levantamento do Sofascore. Nenhuma outra potência, em nenhuma outra geração, sustentou esse nível por três Copas seguidas. Nem os maiores esquadrões que a bola já viu.

Ganhar uma Copa já é para poucos. Voltar à final na edição seguinte é para pouquíssimos. Fazer isso três vezes seguidas, atravessando trocas de geração, lesões e o desgaste de campanhas cada vez mais longas, é quase uma anomalia estatística.

A primeira a conseguir foi a Alemanha Ocidental, finalista em 1982, 1986 e 1990. Foi um caminho de sofrimento: os alemães perderam as duas primeiras decisões e só levantaram a taça na terceira tentativa, fechando um ciclo longuíssimo com o título.

A segunda dispensa apresentações para quem torce no Brasil. A seleção brasileira foi à final em 1994, 1998 e 2002, e venceu duas das três. A que escapou foi justamente a do meio. Em 1998, no Stade de France, quem tirou o título das mãos brasileiras foi a própria França, em plena Paris.

Para o torcedor brasileiro, aquela final ainda mexe com a memória. Foi o único tropeço de uma sequência que rendeu o tetra e o penta, e coube à França interromper o embalo verde-amarelo. Agora, quase trinta anos depois, é a mesma França que ameaça alcançar a linha onde só o Brasil e a Alemanha Ocidental já estiveram.

Deschamps fecha o círculo

E aqui a história prega uma peça e tanto. O capitão daquela França campeã em casa, em 1998, era um volante de 30 anos chamado Didier Deschamps. Quase três décadas depois, é ele, agora como técnico, quem conduz o time que pode igualar a marca do mesmo Brasil que ele ajudou a superar naquela final.

Deschamps comanda os franceses desde 2012, segundo a NBC News, e já avisou que se despede depois desta Copa. Ou seja, o que estiver em jogo nas próximas semanas também é o capítulo final de um dos ciclos mais longos e vencedores que um treinador já teve à frente de uma seleção. Um título em 2018, um vice em 2022 e, agora, a chance de deixar o posto com um recorde raríssimo no currículo.

Se há alguém que entende o peso simbólico dessa marca, é ele. Deschamps já esteve dos dois lados da moeda: ergueu a taça diante do Brasil que perseguia o mesmo feito e, hoje, tenta colocar a França lado a lado com aquele Brasil nos livros de história.

O simbolismo é grande, mas Deschamps sabe que simbolismo não ganha jogo. Entre a França e a história, existe uma seleção espanhola no caminho, e nenhum recorde se conquista no papel.

Espanha pela frente

Antes de qualquer projeção, porém, existe a Espanha. Se passar pela semifinal de terça, a França se torna a terceira seleção da história a emplacar três finais seguidas, e a primeira desde o Brasil de 1994 a 2002 a repetir o feito, como destacou o Get French Football News. É companhia das mais nobres.

Não seria um detalhe de almanaque. Seria colocar esta geração francesa no mesmo pedestal daquele Brasil e daquela Alemanha, entre os raros que transformaram excelência em constância. Poucos selos valem tanto quanto esse.

O caminho francês até aqui não teve estardalhaço, e talvez esteja aí o detalhe mais incômodo para os rivais. O 2 a 0 sobre o Marrocos foi mais um resultado de eficiência fria, o tipo de vitória discreta que costuma levar um time longe no mata-mata. Sem fogos, sem sufoco aparente, mais um degrau vencido em silêncio.

A pergunta que fica é fácil de enunciar e difícil de responder. A França aguenta o tranco de mais uma decisão e entra para o grupo seletíssimo de Brasil e Alemanha Ocidental? A resposta começa a ser escrita na terça, em Dallas. Se vier o triunfo, os franceses sobem ao pódio da história ao lado de dois gigantes. Se não vier, fica o registro de mais uma semifinal e a certeza de uma geração que fez da constância a sua marca. Até lá, o recorde segue ali, à espera, a exatos noventa minutos de distância.

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