Espanha ganhou os dois últimos, e a França quer quebrar o tabu na semifinal do Dia da Bastilha

Espanha ganhou os dois últimos, e a França quer quebrar o tabu na semifinal do Dia da Bastilha

Pela terceira vez seguida em grande torneio, França e Espanha decidem uma vaga, e os espanhóis venceram as duas anteriores com Lamine Yamal decisivo. No Dia da Bastilha, em Dallas, Deschamps tenta enfim virar a página.

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A França chegou primeiro. No dia 9 de julho, bateu Marrocos por 2 a 0 e foi a primeira seleção a carimbar vaga na semifinal da Copa do Mundo de 2026. Um dia depois, a Espanha completou o duelo: 2 a 1 sobre a Bélgica, com Mikel Merino surgindo nos acréscimos para calar os belgas.

Agora, pela terceira vez seguida em um grande torneio, os dois se reencontram num mata-mata. E a história recente pesa para um lado só.

Para os Bleus, a Espanha virou uma pedra no sapato. Nos últimos dois anos, toda vez que o caminho rumo a um título cruzou com o dos espanhóis, o desfecho foi o mesmo: eliminação. Didier Deschamps sabe que precisa romper esse ciclo, e o calendário lhe deu a data mais simbólica possível para tentar: o 14 de julho, feriado nacional francês.

O tabu que a Espanha construiu

Na semifinal da Eurocopa de 2024, a Espanha venceu por 2 a 1. O gol que abriu o placar saiu dos pés de um garoto de 16 anos: Lamine Yamal soltou uma pintura no ângulo aos 21 minutos e virou o mais jovem goleador da história do torneio.

Um ano depois, em junho de 2025, o roteiro se repetiu. Na semifinal da Liga das Nações, a Espanha bateu a França por 5 a 4, o jogo com mais gols na história da competição, segundo a Uefa, e Yamal marcou duas vezes. Um duelo eletrizante, de nove gols.

Duas semifinais, duas quedas francesas, sempre com o mesmo nome no meio do caminho. Agora vem a terceira. E a pergunta que ronda o vestiário de Deschamps é direta: dá para exorcizar esse fantasma justamente no Dia da Bastilha?

Uma muralha e o hábito de Merino

O problema para os Bleus não se resume a Yamal. É a defesa que ele tem atrás.

A Espanha não sofre gol há seis partidas. São 649 minutos de invencibilidade, a maior sequência da história das Copas do Mundo, segundo o Opta. É apenas a segunda vez que os espanhóis alcançam uma semifinal de Mundial, a primeira desde 2010, quando levantaram a taça. Não é um time que só se protege atrás: é um time que virou uma barreira. E é um número que assusta qualquer ataque.

E tem Merino. O meio-campista pegou o costume de decidir no sufoco. Marcou o gol da vitória nos acréscimos em dois mata-matas seguidos: contra Portugal, nas oitavas, e contra a Bélgica, nas quartas. Pelos números do Opta, é o primeiro jogador da Espanha a marcar dois gols decisivos aos 80 minutos ou mais numa Copa. Quando o relógio aperta, ele aparece.

Mbappé lidera, mas o tornozelo preocupa

A conta da semifinal é fácil de fazer: o artilheiro da Copa de um lado, a defesa mais fechada do torneio do outro. Kylian Mbappé soma 8 gols e 11 participações diretas, a melhor marca individual numa única Copa desde os 13 de Gerd Müller, em 1970, conforme levantamento da ESPN.

Só que o camisa 10 saiu mancando do jogo contra Marrocos. Substituído aos 77 minutos após uma pancada no tornozelo, ligou o alerta na comissão técnica. Depois, ele mesmo tratou de tranquilizar: disse à emissora M6 que estava "completamente bem". Nos dias seguintes, os relatos foram de recuperação sem sustos, de acordo com a Sports Illustrated. Ainda assim, é um caso para acompanhar até o apito inicial.

Deschamps também respirou aliviado em outra frente. Manu Koné, Bradley Barcola e Michael Olise entraram pendurados diante de Marrocos, mas escaparam do amarelo e estão liberados para a semi, segundo o beIN Sports. Menos sorte teve Aurélien Tchouaméni: com uma lesão na virilha desde o início de julho, o volante ficou no banco sem entrar contra os marroquinos e segue como dúvida. Sem ele, Deschamps perde uma peça de equilíbrio no meio.

No lado espanhol, Ferran Torres levou cartão amarelo contra a Bélgica e vira dúvida na escalação de Luis de la Fuente pelo risco de suspensão.

O palco do Dia da Bastilha

O reencontro está marcado para terça-feira, 14 de julho, feriado nacional na França. O palco é o AT&T Stadium, em Arlington, no Texas, rebatizado de "Dallas Stadium" para a Copa por conta das regras da Fifa que barram nomes comerciais. A bola rola às 15h no horário do leste dos EUA, 16h em Brasília.

A França quer quebrar o tabu e chegar à final. A Espanha quer manter a muralha de pé e provar que o domínio recente não foi acaso. No meio dos dois, um garoto que já decidiu esse confronto duas vezes, e a certeza de que, se o jogo apertar, sempre pode surgir um Merino à espreita nos acréscimos.

Terça, em Dallas, a novela ganha o terceiro capítulo.

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